preencha o campo busca
ok
preencha o campo login preencha o campo senha
ok
< voltar

Artigos

A novela argentina. Um outro olhar além da Economia.

Florencia Ferrer
06/2010

Para quem analisa somente a última década resulta muito difícil entender o que está acontecendo na Argentina. Como é possível que quatro dias antes das eleições um candidato presidencial a segundo turno de eleições presidenciais desista de sua candidatura? Não nos lembra uma criança que quando sabe que vai perder prefere sair do jogo? Se lembrarmos que alguns anos atrás o vice-presidente Chacho Alvarez , frente a desentendimentos com o Presidente De La Rua também renunciou ao cargo, percebemos que o problema tem causas mais profundas.

A última ditadura militar –1976-1983-  parece curta se comparada com as enfrentadas por outros países. Mas são as suas características que nos ajudam a entender a enorme crise política que Argentina enfrenta.

Vários colegas brasileiros me perguntam o porque reiteradamente os argentinos insistimos no tema dos desaparecidos políticos.  Por que não fechamos essa ferida? Por que não olharmos para o futuro?

Á diferencia do que aconteceu em outros países, esses 30.000 desaparecidos não eram na sua maioria militantes armados, eram fundamentalmente militantes de bairro, militantes sindicais e estudantis. A grande parte dos militantes armados foi morta entre 1973 e 1974, ainda sob regime democrático, nos enfrentamentos com os grupos para-militares da AAA (Aliança Argentina Anticomunista).

Esses 30.000 militantes de base seriam provavelmente hoje a classe política dirigente. Frações muito similares às que estão presentes no governo Lula e que estavam no governo Fernando Henrique Cardoso não tem seus equivalentes na Argentina: são parte dos desaparecidos.

Este processo nos ajuda a entender o profundo desrespeito às instituições tanto pelas mais diversas frações políticas como pelos cidadãos. Durante o Governo de Raul Alfonsín os responsáveis pelo genocídio argentino foram julgados. No Governo de Carlos Menem foram indultados e libertados. Por algumas ações judiciais e por casos pontuais alguns responsáveis voltaram a serem presos. Estas idas e voltas nos remetem a uma história ainda sem fim que desmoraliza o Estado e suas instituições.

Desde já, outras variáveis entram no jogo: políticas públicas, políticas econômicas, confisco de popança privada, que levaram a um grande descrédito da classe política. Entretanto, a intenção desta opinião foi a de incorporar alguns elementos mais para a análise e ajudar a entender o complexo momento de reflexão que a sociedade Argentina enfrenta.

topo ^

Todos os direitos reservados a Florencia Ferrer ©2011